Confabulando Ilusões

O portal da alma, a voz do coração.

Amores irônicos

em 25/03/2013

Todos os dias, ela parecia não sentir mais nada.

“Preciso deixar de amá-lo”, ela disse. “Tenho de desligar as emoções”, foi o que o cérebro interpretou, o que não foi tão difícil, já que o sofrimento era cada vez mais cruel e parecia brincar de matá-la aos poucos.

Não foi uma interpretação errada – foi um alívio.

Agora ela está indo ao encontro de algum rapaz. Bom ou sacana, não importava. Ela estava indo a seu encontro. Dura, fria, intacta e vacinada contra qualquer tipo de sentimento, se não o simples prazer carnal.

Claramente, algo chamou sua atenção nele. Talvez um olhar de menino… o cabelo jogado. O sorriso de lado. Coisas que a faziam pensar que estaria próxima de um interesse maior.

Ela tinha opções – várias. Rapazes altos e outros não tão altos assim, mas belos. Garotas quentes, escolhia a dedo. Feiticeira, sabia encantar como ninguém. Seduzia, não por jogos, já estava entediada disso. Mas por simples naturalidade. Quem quisesse, conseguia.

Não era arrogância sua, era apenas verdade.

Diferentes corpos, à sua escolha. Mas quem tem várias opções, acaba ficando sozinho. Ela estaria na cama de quem quisesse, mas em quem pensaria ao deitar sua cabeça no travesseiro?

Quem realmente gostava dela? Ou de quem ela realmente gostava? Às vezes é bom viajar, mas mesmo um viajante, tem para onde voltar, pequena gafanhota.

“Não foi esquecido, nem amenizado. Só está adormecido”.

Talvez ele não tenha esquecido-a completamente. Talvez, ele ainda releia suas cartas, veja suas fotos. Lembre dela, ao deitar a cabeça no travesseiro. Talvez, ele procura em outros corpos, outros cheiros, outros olhares, uma forma de pedir perdão por ter partido. De pedir perdão por ter se convencido de que era o melhor, mas que talvez… não fosse. Quem poderá dizer que não?

Ele lá, ela cá. Dois corações, que tornaram-se estranhos. Dois estranhos numa cidade qualquer. Amores irônicos. A alma gêmea transformada em qualquer coisa mais fria que um cadáver. O amor morto. E ela procura, em outros corpos, outros cheiros, outros olhares, um entorpecente que faça-o dormir para sempre.

“Não será esquecido, nem amenizado. Mas pelo amor de Deus, que seja adormecido”.

Nunca sozinha, mas sempre solitária.
Essa é a vida de quem tem tudo, mas ao mesmo tempo, tem nada.

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2 respostas para “Amores irônicos

  1. Nauru disse:

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